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Waldemar Guimarães

Ergogênicos

PROTEGENDO O FÍGADO

Por Waldemar Guimarães e Rodolfo Peres

Uma das maiores preocupações dos usuários mais cautelosos de esteróides anabólicos¸ sempre é a saúde de seu fígado. Lógico que existem muitos que não estão nem aí tanto para o estado do seu fígado quanto para outros órgãos do corpo¸ principalmente o cérebro. São esses imbecis que normalmente acabam desenvolvendo diversos efeitos colaterais provenientes do uso incorreto de drogas anabólicas¸ e quando não há mais nada a fazer¸ culpam as drogas por sua infelicidade¸ quando na verdade deveriam culpar sua própria
ignorância.

Este artigo expõe algumas estratégias para minimizar o nível de lesão a este órgão durante um ciclo¸ assim como promover uma regeneração mais rápida e eficaz após o término da administração das drogas. Esta última consideração é extremamente importante principalmente para aqueles que insistem em fazer ciclos subseqüentes¸ mantendo muitas vezes¸ pequenos intervalos entre os mesmos.

O fígado é o maior órgão do corpo humano. Pesa cerca de 1¸5 kg localizandose ao lado direito¸ no quadrante superior da cavidade abdominal¸ protegido pelas costelas. Esse órgão executa mais de 500 funções importantes em nosso organismo¸ sendo que as principais são as seguintes:

- Integração entre os vários mecanismos energéticos do organismo;
- Armazenar e metabolizar vitaminas;
- Fazer síntese de proteínas plasmáticas;
- Detoxificação de toxinas químicas produzidas pelo organismo;
- Detoxificação de toxinas químicas externas ao organismo;
- Filtragem mecânica de bactérias;
- Controle do equilíbrio hidro-salínico;
- Síntese de gorduras e secreção do suco biliar.

Quase todos os esteróides causam lesão no fígado¸ sendo que os 17 alphaalquelados são os mais tóxicos pela dificuldade de processamento. Observa-se maior toxicidade por parte de drogas como a oximetolona¸ stanozolol¸ methandrostenolona¸ metiltestosterona e em menor grau¸ pela oxandrolona.

Vale mencionar que vários medicamentos largamente utilizados pela população¸ tais como os “inocentes” ácido acetil salicílico (aspirina) e o paracetamol (tylenol)¸ podem ser tanto ou até mesmo mais tóxicos ao fígado do que os “temíveis” esteróides anabólicos.

O tipo de lesão hepática clássica encontrado em usuários de esteróides anabólicos denomina-se colestática. As alterações na estrutura dos hepatócitos acontecem provavelmente por ação oxidante na membrana¸ por meio do aumento de LDH plasmático e pela diminuição da glutationa peroxidase (enzima antioxidante). Retenção de bile nos canalículos biliares ocorre principalmente com o uso da oximetolona.

A maior parte das lesões promovidas no fígado são reversíveis tão logo o uso do medicamento seja interrompido¸ devido a grande capacidade de regeneração desse órgão. Existem relatos de fígados que se regeneraram após terem cerca de 80% de seus hepatócitos comprometidos. Porém¸ efeitos mais sérios como icterícia somatizada pelo amarelamento da pele¸ das unhas e branco dos olhos é um sinal para imediata interrupção do medicamento e procura de orientação médica para monitoramento das funções hepáticas.


Cuidados durante o ciclo

Para os que ainda insistem em fazer uso dessas drogas hepatotóxicas¸ o primeiro passo¸ após um exame cerebral para verificar o grau de sanidade¸seria realizar uma bateria de exames laboratoriais a fim de verificar a saúde de seu fígado. Os exames mais comuns denominam-se aminotransferases. Estas são enzimas amplamente distribuídas nos tecidos humanos¸ porém atividades mais elevadas são encontradas no miocárdio¸ fígado¸ músculo esquelético¸ com pequenas quantidades nos rins¸ pâncreas¸ baço¸ cérebro¸ pulmões e
eritrócitos. Os níveis séricos das aminotransferases são importantes na verificação da função hepática. As aminotransferases mais úteis a fim de diagnóstico são: transaminases glutâmico-oxaloacética e transaminases glutâmico pirúvica. Além de logicamente evitar superdosagens dessas drogas¸ o segundo passo seria a adoção de algumas medidas profiláticas¸ dentre elas¸ a inclusão de protetores hepáticos¸ evitar alguns medicamentos e ervas específicas¸ manter uma boa alimentação¸ etc.

Com relação aos protetores hepáticos¸ o mais conhecido e utilizado é o silybum marianum ou silimarina. Diversos estudos científicos realizados na Alemanha confirmam os efeitos benéficos da silimarina. Extraída das sementes do cardo marianum e formada por flavonolignanos¸ a silimarina apresenta grande capacidade regeneradora dos hepatócitos¸ provavelmente por estimular a síntese de proteínas. Estudos comprovaram seu poder na diminuição dos níveis de bilirrubinas¸ redução da esteatose hepática e dos níveis de
transaminases.

Entre outros protetores hepáticos estão: a cynara scolymus – a conhecida alcachofra¸ que aparentemente também apresenta uma ação regeneradora¸ mas necessita de mais estudos para confirmar tal efeito; os ácidos graxosômega 3 e o óleo de prímula da noite que possuem ação anti-inflamatória e ajudam na diminuição das transaminases; os aminoácidos metionina¸ cisteína e glutamina que auxiliam na eliminação das toxinas hepáticas; a vitamina E¸ o mineral selênio e o ácido alpha-lipóico¸ que atuam na síntese do complexo
antioxidante glutationa peroxidase.

Quanto à dieta¸ deve-se evitar uma ingestão excessiva de ferro (carne vermelha)¸ vitamina A (acima de 10.000 UI/dia)¸ frituras¸ alimentos gordurosos e condimentados¸ minimizar o álcool¸ incentivar a ingestão de proteínas vegetais (soja)¸ peixes¸ frutas¸ cereais¸ verduras e legumes. Ainda quanto à alimentação¸ o uso do alecrim é uma boa escolha por sua ação antioxidante¸ protetora e regeneradora hepática; já a alfafa auxilia no processo digestivo; o
abacate é um grande protetor hepático¸ pois estudos realizados no Japão demonstraram uma diminuição do dano ao fígado em pessoas que comiam abacate todos os dias; o abacaxi¸ através da bromelina¸ auxilia a digestão; o boldo¸ na forma de chḠajuda a diminuir as transaminases e auxilia no processo digestivo; e o chá verde¸ devido sua ação antioxidante e digestiva. Deve-se ainda evitar ervas hepatotóxicas¸ tais como a equinácea e a valeriana¸ e ter cautela com alguns medicamentos¸ como os antiinflamatórios hormonais¸
a maioria dos antibióticos¸ fenitoína¸ bupropiona¸ anti-depressivos tricíclicos¸ acetaminofem¸ paracetamol¸ ácido acetil salicílico¸ dentre outros. Uma boa medida é sempre verificar a bula dos medicamentos¸ a fim de constatar se existe algum risco de toxicidade hepática.


Cuidados ao terminar o ciclo

Ao se terminar um ciclo com drogas anabólicas hepatotóxicas¸ é comum que o fígado tenha sofrido lesões em algum grau. Devido a grande capacidade de regeneração deste órgão¸ como já mencionado¸ a tendência é que o órgão recupere toda sua estrutura em um determinado período. Porém¸ existem medidas que podem otimizar este processo¸ sendo estas fundamentais para aqueles ainda mais teimosos que insistem em realizar ciclos pesados com maior freqüência e com curto período de intervalo entre os mesmos.

Após um ciclo¸ o sistema de detoxificação do fígado é sobrecarregado¸ sendo que os metabólitos tóxicos se acumulam e a sensibilidade a outros químicos torna-se progressivamente maior. A implementação da dieta detoxificante deve ser feita de maneira progressiva e dura¸ em média¸ de três a quatro semanas.
É importante a conscientização do indivíduo para que a dieta detoxificante faça parte da rotina diária¸ mantendo os resultados benéficos a longo prazo.

Quando o objetivo da terapêutica nutricional é detoxificar ou melhorar a reserva orgânica hepática¸ alguns aspectos também devem ser considerados. Alguns alimentos e bebidas que contêm toxinas e alergenos alimentares deveriam ser excluídos da dieta¸ como leite de vaca¸ açúcar e glúten.

A hidratação adequada é importante para eliminar os produtos biotransformados¸ possibilitando a excreção mais eficiente dos compostos tóxicos. É importante ressaltar que de nada adianta ingerir grande quantidade de água em um determinado período. A melhor forma de hidratar-se é administrar pequenas quantidades de líquidos¸ constantemente¸ durante todo o dia. Uma das principais vias de eliminação de toxinas modificadas é a bile.
Entretanto¸ quando a excreção de bile é inibida¸ as toxinas ficam no fígado por mais tempo.

Alimentos como o chá verde ou preto¸ alecrim¸ alho e cebola¸ frutas cítricas¸ frutas vermelhas¸ oleaginosas¸ cereais integrais e leguminosas¸ soja¸ peixes e alimentos orgânicos possuem propriedades benéficas ao processo de detoxificação de acordo com sua composição.

Agentes como a colina¸ betaína¸ metionina¸ vitamina B6¸ ácido fólico e vitamina B12¸ são úteis para promover a fluidez da bile para fora do fígado. Já as vitaminas do complexo B são importantes para evitar o dano celular e ajudar no mecanismo de detoxificação.

Os alimentos funcionais são auxiliares no processo de detoxificação¸ entre eles destacam-se os vegetais brássicos (agrião¸ brócolis¸ couve-chinesa¸ couve-debruxelas¸ couve-folha¸ mostarda¸ nabo¸ rabanete e repolho).

Elementos probióticos¸ tais como os lactobacillus e os bifidobactériuns¸ também atuam na metabolização de medicamentos. Eles podem ser definidos como preparações ou produtos contendo microorganismos determinados que¸ quando viáveis e em número suficiente¸ alteram a microbiota intestinal do indivíduo¸ exercendo efeitos benéficos à sua saúde.

A vitamina C (ácido ascórbico)¸ além de auxiliar no processo de detoxificação¸ também atua reduzindo a ação do hormônio catabólico cortisol¸ que normalmente encontra-se elevado após o término de um ciclo. A silimarina além de seu efeito protetor já mencionado¸ também possui ação detoxificante.
Vale ressaltar novamente que o melhor para a saúde de qualquer fígado é manter-se longe de qualquer tipo de droga anabólica¸ ainda mais quando observa-se que os objetivos estéticos alvejados pela maioria de seus usuários¸ poderiam ser atingidos por meio de treinamento rigoroso e dieta adequada. Maiores informações sobre o assunto podem ser obtidas no livro Guerra Metabólica – Manual de Sobrevivência.


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